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Empresários irão a Washington enquanto governo engatilha reciprocidade


Uma comitiva com mais de 100 líderes de associações e empresários brasileiros afetados pelo tarifaço americano desembarca em Washington D.C, capital dos Estados Unidos, na semana que vem.

A agenda da comitiva liderada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) inclui encontros com representantes dos setores público e privado. Mas, também vai abarcar uma audiência marcada pela USTR — Representante Comercial dos Estados Unidos) — para discutir o processo que investiga supostas práticas comerciais injustas e ilegais por parte do Brasil.

Entre os participantes estarão industriais e porta-vozes do agronegócio, segmento entre os mais afetados pelo aumento da tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos.

“Esperamos poder chegar e encontrar um ambiente favorável onde toda essa questão possa ser enfrentada numa mesa de negociação, sensibilizar não só os EUA, mas mesmo o Brasil, para a complementariedade que nós temos no setor industrial, que é a exportação de produtos manufaturados e a importação de produtos manufaturados”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

A viagem acontece em meio à tentativa de manter as portas abertas para o diálogo com o governo americano, ao mesmo tempo em que o governo brasileiro prepara uma possível resposta formal aos Estados Unidos com base na Lei da Reciprocidade.

Com aval do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Itamaraty acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para analisar se a lei aprovada este ano pode ser aplicada ao caso do tarifaço norte-americano. Essa primeira análise poderá levar até 30 dias, mas uma eventual retaliação brasileira — caso ocorra — ainda pode levar meses para ser concretizada.

A Lei da Reciprocidade, sancionada por Lula em abril após aprovação do Congresso, permite ao Brasil responder a sanções estrangeiras unilaterais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. A intenção do governo, segundo fontes próximas às negociações, não é aplicar imediatamente um tarifaço contra produtos americanos, mas, sim, engatilhar o processo e manter abertas as negociações durante sua tramitação.

O governo espera que a abertura do processo coloque pressão em cima dos Estados Unidos e ajude a criar um canal de diálogo. Ainda assim, o Planalto tem investido na ampliação de mercados.

O vice-presidente da República e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, retornou nesta sexta-feira (29) do México, em viagem oficial focada justamente nesta missão.

Empresariado vê cenário com cautela

Apesar da movimentação do governo, a medida tem gerado apreensão entre empresários. A CNI se manifestou contra retaliações neste momento. Para a entidade, é preciso cautela, embasamento técnico e, sobretudo, evitar ações precipitadas.

Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que, para a maioria das empresas, medidas de reciprocidade podem agravar o conflito, dificultar as negociações e prejudicar a imagem do país como destino de investimentos. O estudo cita ainda o risco de insegurança jurídica, impactos em cadeias produtivas e perda de competitividade internacional.

Nos bastidores, o governo brasileiro também acompanha com atenção a possibilidade de novas sanções, especialmente diante da proximidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal), o que pode agravar tensões políticas entre os dois países.

Enquanto isso, o Planalto aposta em uma estratégia dupla: sinalizar disposição para o diálogo e, ao mesmo tempo, manter o processo de retaliação engatilhado, caso as negociações não avancem.

Fonte das informações: CNNBRASIL

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