Bloxs aposta no blockchain para transformar mercado financeiro brasileiro



Resumo da notícia

  • Blockchain digitaliza ciclo de vida dos ativos financeiros

  • Regulação brasileira acelera tokenização e mercado cripto

  • Bloxs conecta emissores e investidores com infraestrutura regulada

A Bloxs quer ocupar um espaço estratégico na transformação do sistema financeiro brasileiro e aposta no blockchain como base para essa mudança estrutural. A empresa revelou ao Cointelegraph Brasil que não enxerga a tecnologia apenas como inovação pontual, mas como camada de infraestrutura capaz de sustentar emissões, registro, liquidação e gestão de ativos no mercado de capitais.

Nos últimos seis anos, a Bloxs estruturou cerca de R$ 300 milhões em ofertas, incluindo captações para projetos ligados ao setor cripto, mineração e ativos alternativos. A companhia começou com emissões via CVM 88 e ampliou o escopo regulatório e tecnológico para operações maiores, passando a atuar também com securitização, gestão de fundos e coordenação de ofertas.

Para Bruno Faria, COO e sócio da Bloxs, o blockchain já deixou de ser uma tecnologia experimental e passou a impactar o mercado de capitais na prática. O principal efeito ocorre na digitalização do ciclo de vida do ativo.

Emissão, registro, controle de titularidade, pagamentos de eventos financeiros, conciliações e trilhas de auditoria passam a operar de forma mais automatizada e rastreável. Isso reduz erro humano, diminui retrabalho e melhora a eficiência operacional, especialmente em estruturas de crédito privado e recebíveis, que tradicionalmente exigem alto volume de processos repetitivos no back office.

Essa transformação não elimina o arcabouço regulatório existente, mas o complementa com uma camada tecnológica capaz de tornar operações mais auditáveis e programáveis. A Bloxs desenvolveu, dentro dessa lógica, o modelo de Investment Banking as a Service (IBaaS), que funciona como uma esteira digital de originação”, disse.

A empresa estrutura operações com seus bankers, organiza a diligência, distribui para investidores cadastrados e cria uma máquina contínua de geração de negócios. A meta é reduzir o intervalo entre originação e distribuição, utilizando dados e padronização para melhorar o chamado “deal match” entre teses de investimento e oportunidades estruturadas.

Nesse contexto, o blockchain surge como base para protocolos ligados a operações de crédito estruturado. A estratégia da Bloxs envolve misturar produtos regulados com tecnologia de ponta, criando uma infraestrutura que permita menor fricção, maior agilidade e transparência nas transações. Em vez de propor uma ruptura com o sistema financeiro tradicional, a empresa aposta na modernização dos bastidores, o chamado “plumbing financeiro”, tornando processos internos mais eficientes.

Regulação como motor de escala e previsibilidade

De acordo com o executivo, o avanço regulatório do Banco Central, especialmente com as resoluções BCB 519, 520 e 521, representa um divisor de águas para o setor de ativos virtuais no Brasil. Essas normas definem critérios de autorização, funcionamento e supervisão para prestadores de serviços de ativos virtuais, trazendo o segmento para o mesmo nível de exigência de governança, controles e conduta aplicado a outros participantes do Sistema Financeiro Nacional.

Na avaliação de Bruno Faria, essas resoluções aumentam a previsibilidade regulatória e reduzem a incerteza jurídica, o que facilita a entrada de investidores institucionais e destrava parcerias estratégicas. A integração com sistemas tecnológicos do Banco Central tende a elevar o padrão de segurança e compliance, criando um ambiente mais robusto para o crescimento do mercado cripto e da tokenização de ativos.

O debate sobre capital mínimo e possíveis impactos sobre startups permanece relevante. Historicamente, novas regulações consolidam mercados, mas não eliminam necessariamente a inovação. Empresas focadas em tecnologia, compliance-as-a-service, infraestrutura, analytics e KYC/AML continuam encontrando espaço como fornecedoras do ecossistema. Já aquelas que atuam diretamente como intermediárias ou custodiantes enfrentam maior desafio, pois precisam atender exigências de capital voltadas à segurança, prevenção à lavagem de dinheiro e qualificação técnica. Ainda assim, o regulador sinaliza abertura ao diálogo, como demonstrou ao ampliar prazos de adequação para o setor”, afirmou.

Outro ponto central envolve a convergência entre Banco Central e CVM em temas como tokenização e duplicata escritural. A tendência é estabelecer padrões de interoperabilidade para identidade do ativo, registro, lastro e eventos, mantendo clara separação entre registro e oferta/distribuição. Essa harmonização evita sobreposição regulatória e cria bases para escala.

Tokenização como modernização estrutural

Segundo Faria, o movimento brasileiro acompanha uma tendência global já consolidada por grandes instituições financeiras. BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan investem de forma consistente em tokenização de ativos e infraestrutura digital. Quando a maior gestora do mundo lança um fundo tokenizado com rotina operacional e pagamentos registrados em rede pública, o recado é direto: ativos financeiros podem nascer com trilhos on-chain.

A Franklin Templeton mantém fundo de mercado monetário com trilha registrada em blockchain, enquanto o JPMorgan desenvolve infraestrutura para liquidação, colateral e mobilidade de ativos. Esses casos mostram que a tokenização não busca substituir o sistema financeiro tradicional, mas torná-lo mais eficiente, rápido e programável, reduzindo riscos operacionais e aumentando a transparência.

Para emissores, a tokenização e a digitalização trazem redução de custos de originação e estruturação, encurtamento do ciclo de documentação e distribuição e melhor gestão de garantias e covenants por meio de trilhas auditáveis e eventos programados. Para investidores institucionais, os ganhos aparecem na transparência, no monitoramento quase em tempo real e na eficiência de colateral, com ativos mais móveis para margem e garantia”, destacou.

Empresas de médio porte também podem se beneficiar. Tradicionalmente, o mid-market enfrenta alto custo fixo e complexidade para acessar o mercado de capitais. Infraestrutura baseada em blockchain reduz o custo por operação, permite emissões mais granulares e melhora a rastreabilidade de recebíveis. O resultado pode ser uma experiência de funding mais próxima de um modelo plug-and-play, com governança e visibilidade aprimoradas.

Desafios e próximos passos

Apesar da maturidade tecnológica, Bruno defende que a adoção em larga escala depende de interoperabilidade entre registradoras, custodiante e plataformas, além de harmonização regulatória contínua entre Banco Central e CVM. A gestão de risco operacional e cibernético, incluindo custódia de chaves e auditoria técnica, também exige atenção.

Outro desafio envolve liquidez secundária. Sem mercados secundários bem estruturados, ativos tokenizados podem continuar ilíquidos, apenas com nova “embalagem tecnológica”. A escala virá quando o ganho de eficiência superar claramente o custo de mudança para emissores e investidores.

Nos próximos cinco anos, o blockchain tende a se consolidar como camada de liquidação, garantias e dados para ativos financeiros, incluindo fundos, recebíveis e crédito privado. A convergência com infraestrutura pública, como Pix e Open Finance, pode ampliar ainda mais os casos de uso.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy

Fonte das informações: Cointelegraph

Unimed usa blockchain para conservar biomas no Brasil com tecnologia 6BIOS


  • Seguros Unimed financia conservação ambiental com pagamentos automatizados via blockchain desenvolvida pela 6BIOS.

  • Oráculos, IA e contratos inteligentes monitoram biomas e liberam recursos após confirmação da preservação.

  • Novo acordo com a UFPB amplia pesquisas em transparência e auditoria ambiental com tecnologia blockchain.

A Seguros Unimed revelou que passou a usar blockchain, oráculos e contratos inteligentes para financiar a conservação de biomas brasileiros por meio de um projeto desenvolvido pela empresa 6BIOS Tecnologias Ambientais.

A iniciativa, criada a partir de pesquisas da PUC-Rio e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), combina monitoramento ambiental automatizado e pagamentos digitais condicionados à preservação da vegetação nativa. Recentemente, o projeto também recebeu um novo aporte para pesquisa e desenvolvimento, conforme publicado nesta terça, 24, no Diário Oficial da União.

A proposta integra empresas patrocinadoras, proprietários de áreas preservadas e sistemas de verificação ambiental em uma única plataforma digital. O modelo busca automatizar processos de monitoramento e repasse financeiro, reduzindo intervenção humana e ampliando a rastreabilidade das ações de conservação.

Projeto conecta preservação ambiental a pagamentos automatizados

O sistema desenvolvido pela 6BIOS reúne dados ambientais, contratos digitais e mecanismos de auditoria em uma arquitetura baseada em blockchain. A Seguros Unimed financia áreas preservadas, enquanto proprietários rurais, comunidades tradicionais e pequenos produtores atuam como responsáveis pela proteção da vegetação nativa.

Cinco propriedades apoiadas pela seguradora já recebem pagamentos mensais vinculados à conservação efetiva das áreas. Segundo os desenvolvedores, o projeto alcançou a segunda parcela de seu contrato anual, indicando continuidade operacional do modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

A plataforma utiliza dados multisensoriais e imagens de satélite para acompanhar as condições ambientais das reservas. Esses dados alimentam sistemas chamados oráculos, que funcionam como pontes entre o ambiente físico e o registro digital em blockchain.

Quando os algoritmos confirmam a manutenção da vegetação nativa, contratos inteligentes executam automaticamente o pagamento aos responsáveis pela preservação. O sistema registra todas as operações de forma permanente e auditável.

A estrutura tecnológica também incorpora inteligência artificial e técnicas de aprendizado profundo para analisar informações ambientais e validar indicadores de preservação. Segundo a empresa, os algoritmos processam dados sobre cobertura vegetal, sequestro de carbono e evolução dos biomas.

Além do monitoramento remoto, a plataforma armazena contratos digitais com dados de patrocinadores, preservadores e áreas protegidas. O sistema opera em arquitetura de microserviços hospedada em servidores distribuídos globalmente.

Os usuários acessam a plataforma por aplicativos móveis. Patrocinadores acompanham o status das reservas e recebem certificados de preservação, enquanto proprietários monitoram pagamentos e contratos firmados.

O modelo também prevê a geração de créditos ambientais associados às áreas monitoradas. Empresas patrocinadoras podem utilizar esses ativos para estratégias de sustentabilidade corporativa, embora o mercado de créditos de carbono ainda enfrente questionamentos sobre padrões de verificação e qualidade metodológica.

A 6BIOS afirma que o uso de blockchain pode reduzir riscos de fraude, atrasos ou decisões administrativas subjetivas, ao automatizar pagamentos com base em dados verificados.

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Fonte das informações: Cointelegraph

ETFs de Bitcoin amargam 5 semanas de saídas, somando US$ 3,8 bi.


Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram cinco semanas consecutivas de saídas líquidas, com investidores retirando aproximadamente US$ 3,8 bilhões dos produtos no período.

Durante a última semana, os fundos registraram cerca de US$ 315,9 milhões em saídas líquidas, conforme dados da SoSoValue — com a maior retirada semanal da sequência ocorrendo na semana encerrada em 30 de janeiro, quando os ETFs spot de Bitcoin (BTC)registraram cerca de US$ 1,49 bilhão em saídas.

Embora algumas sessões tenham visto entradas, como cerca de US$ 88 milhões em entradas na sexta-feira, foram superadas por dias de resgates maiores no início da semana. Saídas notáveis incluíram mais de US$ 410 milhões em 12 de fevereiro, além de sessões negativas entre 17 e 19 de fevereiro, deixando o total semanal firmemente negativo.

Os ETFs de Bitcoin à vista registram saídas de capital pela quinta semana consecutiva. Fonte: SoSoValue

Até sexta-feira, os ETFs spot de Bitcoin acumularam aproximadamente US$ 54,01 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento. O total de ativos líquidos estava próximo de US$ 85,31 bilhões, representando cerca de 6,3% da capitalização total de mercado do Bitcoin.

Redução de risco institucional impulsiona saídas dos ETFs de Bitcoin

As retiradas recentes dos ETFs spot de Bitcoin parecem ligadas ao posicionamento institucional, e não a uma perda de interesse de longo prazo no ativo, disse Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research. Ele afirmou que as saídas refletem uma redução de risco nos portfólios à medida que aumentam as tensões geopolíticas e a incerteza macroeconômica.

Liu também mencionou que os fluxos podem permanecer instáveis no curto prazo — a escalada de disputas comerciais e desenvolvimento de tarifas reforça um ambiente de aversão ao risco nos mercados, deixando ativos digitais sensíveis a manchetes macroeconômicas.

“As entradas de mercado dependerão de eventos macro como os dados de pedidos iniciais de seguro-desemprego da próxima quinta-feira, já que dados mais fracos podem reacender expectativas de futuros cortes de juros e ajudar a sustentar o sentimento, atualmente em 14 — medo extremo — no índice de medo e ganância cripto.”

ETFs spot de Ether também registram saídas

Os ETFs spot de Ether (ETH) também enfrentaram pressão vendedora sustentada, com fluxos negativos nas últimas cinco semanas, à medida que investidores reduziram exposição à segunda maior criptomoeda.

Os ETFs de Ether também registram saídas semanais de recursos. Fonte: SoSoValue

Na última semana, os fundos registraram cerca de US$ 123,4 milhões em saídas líquidas, de acordo com dados da SoSoValue. As perdas semanais ocorreram apesar de sessões pontuais positivas, incluindo cerca de US$ 48,6 milhões em entradas em 17 de fevereiro e US$ 10,3 milhões em entradas em 13 de fevereiro, mas essas entradas foram superadas por saídas maiores mais cedo na semana.